Cultura do cuidado na gestão de escolas e universidades

A transformação digital da educação brasileira chegou junto com a pandemia da Covid-19. Como toda mudança profunda veio carregada de incertezas, imposições do cenário externo, perdas, desconfortos e desconfiança. Mas veio para ficar. O ano letivo de 2021 será de profundas transformações. O planejamento de mudanças precisa incluir os aprendizados que o pior ano do século apresentou para o ambiente educacional. Mais do que planejar as mudanças e gerenciar os riscos delas decorrentes, é preciso incluir a cultura do cuidado de forma definitiva no cotidiano de escolas e universidades.

Tendências que já estão no cotidiano educacional

COMPORTAMENTO DIGITAL

O acesso instantâneo, o sentimento de transparência, a agilidade ou celeridade, os relacionamentos horizontais e igualitários são elementos que se juntam à necessidade técnica de conceber aulas híbridas, de estar inserido nos recursos educacionais que já estão no cotidiano das pessoas, de compreender os novos serviços que legitimamente só podem ser desenvolvidos pela educação formal e de coloca-los à disposição da sociedade.

FORÇA DAS REDES SOCIAIS

Espaço altamente valorizado em tempos de isolamento social e ausência do presencial, as trocas um a um nos aplicativos de comunicação instantânea e as opiniões compartilhadas dispensam a mediação. É possível debater as decisões e os encaminhamentos de escolas e universidade sem tê-las presente nos diálogos. Os famosos “grupos de mães e pais” ou “grupos da turma” nesses aplicativos baseados na conversação formam uma espécie de boca-a-boca midiatizado disseminando informações, opiniões e interpretações de forma rápida e em larga escala.

EMPODERAMENTO E AUTONOMIA

Estudantes cobram transparência e envolvimento na tomada de decisão de escolas e universidades; famílias e instituições querem ser cada vez mais consultadas, reivindicando um diálogo sem fim. Gestores educacionais e professores deixam, em definitivo, o lugar de autoridades do conhecimento e passam a conviver com os questionamentos permanentes no cotidiano educacional. A notícia boa é que basta fortalecer a disponibilidade e a abertura para ocupar um lugar na conversação social.

PRESENÇA DOS ATIVISMOS SOCIAIS

Possíveis atitudes discriminatórias que possam ser consideradas como racismo, machismo, homofobia, entre outras são refutadas publicamente. Mais do que evitar essas situações por meio da formação continuada e dos sistemas de compliance, escolas e universidade precisam compreender que os ativismos exigem ações afirmativas de combate à discriminação e uma educação comprometida com os direitos humanos e com a responsabilidade social e ambiental.

Mudanças exigem gestão de riscos e fortalecimento da Cultura do Cuidado

As mudanças são inevitáveis, as transformações necessárias e os novos cenários se impõem. Para evitar perdas, retrocessos, rupturas graves e falta de entendimento da realidade vivida, é preciso estabelecer, junto com o planejamento da mudança, uma rigorosa gestão dos riscos ancorada na Cultura do Cuidado. 

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